1988 | AS PRIMEIRAS PROFESSORAS

Os desafios foram muito grandes nesse ano, pois receberíamos cerca de 60 alunos. Com o dinheiro das matrículas, foi possível fazer paredes para as primeiras cinco salas de aulas. Como os recursos eram escassos, elas tinham apenas um metro e oitenta de altura, feitas com bloco de concreto aparente, pintadas com cal. Não tinham forro nem portas. As janelas eram grandes vãos abertos. Uma velha carroceria de caminhão transformou-se no nosso primeiro palco. Também foi possível comprar as primeiras cadeiras (todas de uma outra escola que havia fechado) e as mesas foram feitas com material encontrado no galpão abandonado. Assim como os alunos, a maioria das professoras veio da escola recém fechada.

Também foi contratada D. Júlia, uma senhora que deixou boas lembranças pelo capricho com a limpeza e o carinho com as crianças. Para ajudar na organização administrativa também foi contrata Vânia Barreto, que por muitos anos, zelou por todo o trabalho da Secretaria. Esse foi um novo desafio para o professor Virgílio: como dirigir uma escola de Educação Infantil, sem nenhuma experiência nem formação específica. Foi o momento de começar a estudar o universo pedagógico. Logo nesse primeiro ano, pelas mãos de mães pedagogas, chegou às suas mãos o livro “A paixão de conhecer o mundo”, da professora Madalena Freire, com idéias bastante revolucionárias na época, mas perfeitamente compatíveis com a idéia de uma escola livre, que fomentasse a criatividade e valorizasse o viver da infância. Essa era a escola, que intuitivamente, o inquieto professor procurava.

A gestão da nova escola estava a cargo da Associação de Pais, mas as dificuldades para geri-la desmotivavam a maioria dos associados. E os problemas vieram. Nesse momento, a escola que nascia, quase morreu. Inconformado com a perspectiva, o professor Virgílio resolveu dar continuidade ao projeto. A Associação de Pais se dissolveu e foi criada uma empresa, que seria a responsável pela continuidade da escola. Foi assim que o ano de 1988 foi fechado, com 68 alunos, distribuídos em cinco modestas salas de aula, todas muito precárias, mas cheias de vida efervescente.