1987 | A FUNDAÇÃO

O Coleguium nasceu de uma maneira pouco ortodoxa e, analisando seus primeiros passos, poderíamos dizer que estava fadada ao fracasso. Em 1987, o professor Virgílio Machado (graduado em História e então atuando em cursos superiores) havia acabado de sair da Secretaria de Estado da Cultura e assumido um cargo de assessoria na Assembléia Legislativa do Estado. Os desafios propostos no novo trabalho não tinham as características para envolver e motivar uma mente inquieta e cheia de sonhos, mas esposa e dois filhos pequenos, era fator determinante para não abandonar a carreira e se aventurar por novos ares.

Com o passar dos meses, as angústias decorrentes do novo trabalho aumentaram, levando o inquieto professor a uma constante busca por alternativas. O fato de os seus dois filhos, (o mais velho com quatro anos), já estarem freqüentando a terceira escola, chamou sua atenção para esse ramo. A partir da condição única de viver em um sítio na Pampulha, onde havia crescido, a idéia de trabalhar com crianças começou a se configurar viável.Tendo como único capital um espaço privilegiado, muita vontade e imaginação, o professor Virgílio organizou uma “Colônia de Férias”, sua primeira experiência com os pequenos.

A idéia seria resgatar um pouco da própria infância vivida entre árvores, grandes gramados e fantásticas aventuras. As primeiras crianças vieram em grupos, e logo, eram cerca de vinte e cinco, de idades variadas, freqüentando as “Férias Divertidas”. Muito à vontade, logo estavam descobrindo como subir em árvores, escorregando pelos gramados, se envolvendo com os animais e se aventurando pelo sítio. Já nessas férias, vieram as primeiras idéias que se configurariam como traços da escola que nascia, o estímulo à criatividade e a exploração da fantasia. Lá as crianças procuravam pelo “Menino Selvagem” ou queriam descobrir a identidade do misterioso “Homem da Capa Preta”. Os dias foram se passando e o fascínio pelo novo campo que se abria aumentava.

Passaram ­se quatro semanas de intenso trabalho e muitas descobertas. No último dia da colônia, Chico, um dos participantes, completava três anos. Na nossa “floresta”, onde vivia o “Menino Selvagem”, as crianças compartilharam um bolo e refrigerantes. Observando esta cena, o professor Virgílio tomou a decisão: a segurança da Assembléia seria trocada pela aventura com as crianças. A nova escola começaria em parte de um grande galpão abandonado que existia no sítio. Sem dinheiro algum, Virgílio só poderia contar com a vontade de trabalhar e sua fértil imaginação. Assim surgiu a OFICINA – Centro de Criatividade e Recreação – e chegaram os primeiros seis alunos, entre eles, os filhos Daniel e Ana e o pequeno Chico. Um único grupo, comandado por um professor de história, habituado a lecionar em faculdades. Foi um período de grandes desafios e descobertas, um momento especial e maravilhoso!

Em setembro daquele ano, o professor foi procurado por alguns pais de alunos da última escola freqüentada por seus filhos. A escola estava fechando e eles estudavam a viabilidade de levar seus filhos para estudar na OFICINA. Nas conversas, surgiu a idéia de criar uma Associação de Pais, que seria responsável pela gestão da nova escola. E assim foi feito. Estavam firmadas as bases para a consolidação da nova escola!